1.2.10

Fim de semana de praias, ensaio de escola de samba de Floripa, bateria de escola de samba do Rio, música + risada, novos amigos, Florianópolis, Balneário Camboriú, Itajaí, sol, lua cheia, diversão.
Que venha o Carnaval, porque eu já estou no clima.


28.1.10

Despedida

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

(Rubem Braga. A Traição das Elegantes, Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.)

...

O texto acima é uma indicação (na verdade, uma cópia, de minha parte) do blog do Felipe Lenhart. Li, gostei, compartilho.


20.1.10

...sem o que me inspire a escrever.
(é assim que funciona)

Enquanto isso leio e leio e leio e releio e leio e leio e...


6.1.10

Mas se alguma coisa haviam aprendido juntos era que a sabedoria nos chega quando já não serve para nada.

(gabriel garcía márquez, em o amor nos tempos do cólera, que agora releio)


10.12.09

mirada

Agora sabia. É que as respostas vieram antes das perguntas. A lembrança veio antes do fato – e de tudo isso ela fez um segredo seu.

Não ousava se revelar, escondia-se do espelho, buscava abrigo sob lençóis e sorrisos mudos. Acordada, sonhava; dormindo, delirava realidades gastas.

...

Ao poeta faz bem desexplicar. Tanto quanto escurecer acende o vagalume.
(manoel de barros)


3.12.09

"A Pilar, como se dissesse água"

Saramago, na dedicatória do livro Caim (Companhia das Letras, 2009), que começo a ler agora.


19.11.09

"...observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura."

Recomendo a leitura deste artigo no Portal Literal:

Vale mais que um trocado
Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi.


Leia aqui.


17.11.09

Na segunda de manhã tive o prazer de reler uma rônica do Rubem Braga (O conde e o passarinho, no livro 200 crônicas escolhidas, da editora Record), que eu adoro.
Compartiho um trecho abaixo:

Acontece que o Conde Matarazzo estava passeando pelo parque. O Conde Matarazzo é um conde muito velho, que tem muitas fábricas. Tem também muitas honras. Uma delas consiste em uma preciosa medalhinha de ouro que o conde exibia à lapela, amarrada a uma fitinha. Era uma condecoração.

Ora, aconteceu também um passarinho. No parque havia um passarinho. E esses dois personagens – o conde e o passarinho – foram os únicos da singular história narrada pelo Diário de São Paulo.

Devo confessar preliminarmente que, entre um conde e um passarinho, prefiro um passarinho. Torço pelo passarinho. Não é por nada. Nem sei mesmo explicar essa preferência. Afinal de contas, um passarinho canta e voa. O conde não sabe gorjear nem voar. O conde gorjeia com apitos de usinas, barulheiras enormes, de fábricas espalhadas pelo Brasil, vozes dos operários, dos teares, das máquinas de aço e de carne que trabalham para o conde. O conde gorjeia com o dinheiro que entra e sai de seus cofres, o conde é um industrial, o conde é conde porque é industrial. O passarinho não é industrial, não é conde, não tem fábricas. Tem ninho, sabe cantar, sabe voar, é apenas um passarinho, e isso é gentil, ser um passarinho. [...]


...

Comentei aqui quando li a crônica pela primeira vez.


26.10.09

A minha memória (leia-se aqui as lembranças da minha vida) é uma das coisas que mais tem valor pra mim.
Quando eu era criança, ia muito à casa da minha avó Idalete. Tenho lembranças maravilhosas dessa fase, da casa dela, da família toda, que sempre me fez sentir MUITO amada. São tantas as histórias, tantas as coisas bonitas que fizeram por mim, que nem dá pra falar. Mas sempre que eu visito a vó Idalete, a gente se lembra de alguma coisa – como as cantorias dentro do fusca do vô Luiz, os laços que a Sarita (tia, mas nunca usamos o 'tia' à frente do nome dela) fazia nos meus cabelos, as danças da Xuxa com a tia Vanilde na sala da casa, as festas de comunhão, a piscina da Turma da Mônica, os potes de massa de bolo que nós crianças disputávamos para lamber as sobras (e ela, bem sabiamente, chamava só um por vez, em segredo, para que pudesse lamber o pote sozinho) e a hortinha, na frente da casa, com suculentos moranguinhos que eu amava, colhia e comia.
Aquela casa da minha infância não existe mais (só na memória), meus avós construíram uma casa nova no lugar da antiga. Pois bem, minha amada vó Idalete acabou de me ligar (ela mora em Brusque, onde morei durante minha infância) para compartilhar comigo uma coisa muito especial: o vô Luiz fez uma nova horta e plantou morangos. E ela, ao telefone, me disse que os moranguinhos começaram a brotar. São ainda bem pequenininhos, mas a vó queria que tu fosse a primeira a saber.
Tô aqui escrevendo, com lágrimas nos olhos (de feliz, vó!), porque esse tipo de coisa, a lembrança dela, o cuidado com a memória, a preocupação em me contar, é tão importante e bonito pra mim que nem sei dizer.
Obrigada, vó. Por ter me dado tantas lembranças bonitas e por continuar alimentando-as – com tanto e sincero amor.



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